CIA APOCALÍPTICA APRESENTA A PEÇA “ESTADO DE SÍTIO” DE ALBERT CAMUS

Em quatro apresentações online, o espetáculo traz o tema do absurdo, da injustiça, da revolta coletiva e da solidariedade, que são apresentados sob a encarnação da epidemia da peste, em uma personagem que é o próprio totalitarismo.

O tema do absurdo, da injustiça, da revolta coletiva e da solidariedade é apresentada em “Estado de Sítio”, peça da Cia. Apocalíptica, livremente inspirada na obra de Albert Camus. Serão quatro apresentações online, nos dias 13, 14, 27 e 28 de novembro, sempre às 20h, por meio do Sympla (www.sympla.com.br), plataforma de apresentações online.

 

“Albert Camus é uma voz que emerge de um entre-lugar. Originário de dois países, sem pertencer a nenhum, ele é um estrangeiro em confronto com as mais diversas formas de poder arbitrário. É esse confronto, embasado no seu pensamento filosófico, que está na peça Estado de Sítio e nos desperta para o questionamento sobre o que é a peste e sobre qual a sua relação com a condição humana de estrangeiridade”, explica Juliana Calligaris, coordenadora geral/orientadora do projeto e integrante da Cia. Apocalíptica.

 

Na peça, deparamo-nos com uma metáfora do poder, do totalitarismo, de questões políticas que remetem as pessoas para uma condição de estrangeiridade baseada no desrespeito. A peste, nesse caso, passa a ser metáfora de tudo o que leva ao racismo, à homofobia, à misoginia, à violência de gênero e à xenofobia.

 

As quatro apresentações serão online, por meio da plataforma Sympla. Os ingressos custam R$10 (inteira) e R$5 (meia-entrada). Sobre o trabalho de criação de um espetáculo longe do público, Juliana afirma que a companhia se estruturou para encarar esse desafio.

 

“A nossa companhia sempre busca se desafiar com novas linguagens. Não trabalhamos só com teatro, mas também com contação de histórias, com dança, e nós já estávamos querendo trabalhar com audiovisual antes da pandemia e quando ela veio, a gente se estruturou de uma forma a fazer um espetáculo teatral para essa linguagem do online. É mais complexo, diferente, porque cada um está na sua casa, todo mundo se vê através de um intermediário, que é a câmera, então não é possível dirigir o ator no local. Mas gostamos muito desse desafio”, diz Calligaris.

 

Escrito há cerca de 60 anos, o texto das obras literárias é atual e retrata o que vivemos hoje. “É extremamente atual, e até profético. Podemos ver a história se ecoando. Foi muito desafiador fazer. Fizemos ensaio com público e também uma estreia fechada no dia 6 de novembro para o V Congresso Brasileiro de Ensino e Processos Formativos e a recepção foi muito boa. É uma forma de teatro que pouca gente está fazendo aqui em Rio Preto e estamos muitos animados para continuar com ele em temporada, logo que virar o ano”, revela Juliana Calligaris.

 

“Estado de Sítio” pertence a um tipo de teatro cujo objetivo é forjar consciências. Forjar no sentido de trabalhar na forja, na fabricação de um metal, entre aquecer e resfriar, com fornalha, fole e bigorna; com a crueldade que a ação impõe.

 

Sobre a montagem da Cia Apocalíptica, Juliana Calligaris afirma que, além de mostrar a atualidade do pensamento de Camus, ela comprova a encenabilidade da peça, ao demonstrar que alterações nas indicações cênicas para uma montagem de teatro remoto, conforme a viabilidade da apresentação, não comprometem a teatralidade do texto e nem a encenação da peça.

 

Apresentação online

 

Serão quatro apresentações do espetáculo “Estado de Sítio”, nos dias 13, 14, 27 e 28 de novembro, por meio do Sympla (www.sympla.com.br), plataforma de apresentações online. Ao acessar o site, basta procurar pelo nome da peça, se cadastrar e adquirir os ingressos para a data escolhida. Em seguida, a plataforma envia um link para o email cadastrado com todas as orientações para assistir ao espetáculo.

 

A obra de Albert Camus

 

Albert Camus nasceu em 7 de novembro de 1913, em Mondovi, na Argélia, à época, colônia de exploração francesa. Não conheceu o pai, um humilde lavrador que trabalhou anos a fio como numa vinícola e que foi dar sua vida no sacrifício da batalha do Marne, mal começava a Primeira Guerra Mundial. Albert seria criado por sua mãe, uma marroquina de origem espanhola, pelos tios e pelo irmão mais velho.  Em agosto de 1944, paris era libertada. No ano seguinte a guerra terminava: uma explosão atômica, em Hiroshima, colocava o ponto final no conflito. Para Camus, “a civilização mecânica acaba de atingir seu grau último de selvageria”.

 

Num ensaio chamado “O mito de Sísifo”, que poderia ter como subtítulo a seguinte pergunta: a vida vale à pena ser vivida? O absurdo consiste na incompatibilidade entre um anseio humano de explicação para o mundo e o mistério essencial desse mundo inexplicável, entre a consciência da morte e o desejo de uma impossível eternidade, entre o sonho de felicidade e a existência do sofrimento, entre o amor e a separação dos amantes. Constatado o absurdo, resta recolher a atitude a tomar: Para Camus, trata-se de aceita-lo e de conviver com ele. É o que faz Sísifo, o mítico personagem condenado pelos deuses a rolar eternamente uma pedra encosta acima de uma montanha. Sísifo aceita o absurdo e tentar agir dentro dos limites que isso lhe impõe. E, paradoxalmente, ao tomar consciência desses limites, ele consegue ser mais livre. Temos aqui a premissa, tanto para os romances “O Estrangeiro” e “A Peste”, quanto para a peça teatral “Estado de Sítio”.

 

No final do romance “A Peste”, a vitória pertence ao médico, personagem protagonista, que honestamente acredita na necessidade de lutar até o fim contra a peste, por mais inútil que possa parecer essa luta. Uma vida que se salve será uma pequena batalha ganha. Um paralelo direto com o protagonista de “Estado de Sítio”, o herói Diego. A vitória pertence a ele – e aos que tiveram vergonha de ser felizes sozinhos. Trata-se de uma vitória essencialmente humana; Deus não foi invocado, pois, ‘uma vez que a ordem do mundo é regulada pela morte, talvez seja melhor para Deus que não se acredite Nele, e que se lute com todas as forças contra a morte, sem levantar os olhos para o céu, onde Ele se cala”. Eis a premissa a adaptação do romance “A Peste”, para teatro, pelo próprio Camus, como vemos em “Estado de Sítio”.

 

Em 1957, Camus recebeu o Prêmio Nobel de Literatura “pelo conjunto de uma obra que põe em destaque os problemas que se colocam em nossos dias à consciência dos homens”. Na ocasião, proferiu um discurso analisando o papel do artista, que não deve apenas distrair o público, mas “comover o maior número de pessoas, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e das alegrias comuns”. Três anos depois, cheio de planos e sonhos, preparando-se para um novo romance, Camus morria num acidente de carro, na estrada que liga Sens a Paris. Eram 13 horas e 55 minutos de uma cinzenta quarta-feira, 4 de janeiro de 1960. Em seu bolso encontrou-se uma passagem de trem para o mesmo trajeto. Na última hora, ele decidira fazer a viagem de carro e, nessa escolha encontrou a morte.

Sinopse Geral:

 

A ausência de luz e o movimento de um cometa como uma incógnita no céu prescrevem o início de Estado de Sítio. Assim como no Gênesis o espírito de Deus se movia sobre a face das águas, um cometa se desloca lentamente no céu de Cádiz até que se faz a luz e os personagens se tornam visíveis. No prólogo, Camus retoma a visão do caos original, aquele momento anterior à criação “em que a Terra estava sem forma e vazia” (GÊNESIS, 1-1).

O tema do absurdo, da injustiça, da revolta coletiva e da solidariedade é apresentada em “Estado de Sítio”, sob a encarnação da epidemia da peste em uma personagem que é o próprio totalitarismo. A Peste, representada por um homem, depõe o governo, instaura o estado de sítio na cidade de Cádiz, subordina os habitantes e destrói as vidas. Os indivíduos, seviciados, não possuem a coragem necessária à revolta. Dentre eles, Diego percebe a absurdidade, incita os conterrâneos à revolução e enfrenta a Peste e a Morte. No momento em que estava para vencê-las, Vitória, sua noiva é atingida pela epidemia. Ele pactua com a Peste pela vida de Vitória e pela libertação de Cádiz. Entrega-se tragicamente, e a realização dessa tragédia destitui o regime totalitário e afasta a epidemia. Não elimina, mas altera a realidade da Peste.

 

Sinopse – Parte I:

Texto e direção: Lawrence Garcia

Elenco:

Isabelle Carceres: Secretária

Fabiana Pezzotti: Nada/Fome

Pedro Montalvão: Peste

Tiago Lima: Diego

Uidi Madi: Governador/Religioso

Weslei Borges: Guarda/Mercador/Astrólogo/Guerra

Yasmim Feitosa: Vitória

 

Quando um cometa cai na cidade de Cádiz em 1980 os espanhóis mal sabiam que junto com ele viriam a peste, a guerra, a fome e a secretaria que imprimiriam terror no coração de todos até que não restasse um único espanhol lúcido.

Sinopse – Parte II:

Texto e direção: Danilo

Elenco:

Gaby Arcas:  Secretária/Morte

Pedro Montalvão: Vitória Vitória

Yasmim Feitosa: Vitória Vitória

David Balt: Nada/morte

Tiago Lima: Diego Diogo

 

Nos dias de hoje um grupo de pessoas com conflitos familiares e sociais. Sitiadas, mas em busca de contato e afeto. Pessoas buscando se entender! A morte permeando os diálogos, a morte em vários níveis e maneiras. Um fim que é o começo e um começo que lembra um fim. Dias sombrios de doença e pânico. Nesse cenário se desenrola toda a ação dos personagens.

 

Sinopse – Parte III:

Texto e Direção: Tiago Mariusso

Elenco:

Peste:  Fabiana Pezzotti

Secretaria Uidi Madi

Diego: Tiago Lima

Vitória:  Carolina Finimundi

 

Sinopse: Num futuro distópico, devido ao aquecimento global, guerras continentais, armamento nucleares e biológicos, A Peste dominou o planeta Terra e dizimou todos os seres humanos. Em uma união conjunta, cientistas sobreviventes criaram uma forma de vida para evitar a extinção humana em nosso planeta, agora, os humanos não habitam mais corpos humanos. Num processo evolutivo, as consciências tornaram-se elementos visíveis apenas através de espectros fluorescentes que são ativados através da fala. 2420 dc.

 

 

SERVIÇO

 

Peça “Estado de Sítio”, de Albert Camus

Quando: Dias 13, 14, 27 e 28 de novembro, às 20 horas

Onde: plataforma Sympla – www.sympla.com.br / https://www.sympla.com.br/estado-de-sitio__1050328

Quanto: R$10,00 (inteira) / R$5,00 (meia)

Saiba mais: no Instagram @cia.apocaliptica

Realização: Cia. Apocalíptica

www.eloisamattos.com